Mergulhei nos livros de Tolkien para desvendar o que pode acontecer no longa que está sendo desenvolvido por Stephen Colbert e Peter Jackson. Uma pista muda tudo!
Já estava me preparando para dormir, na terça (24), quando pipocou um vídeo de Peter Jackson dando alguns detalhes meio desinteressantes sobre “Hunt For Gollum”, filme previsto para 2027 e dirigido por Andy Serkis que mostrará detalhes da caçada ao ex-portador do Um Anel pouco antes da formação da Irmandade do Anel, em Rivendell.
Mas, de forma repentina e inesperada como o sumiço de Bilbo durante sua festa de aniversário, o cineasta neozelandês revelou os primeiros detalhes do segundo novo filme baseado na obra de J.R.R. Tolkien, que até então ainda estava envolto em mistérios e especulações.
E fez mais do que isso: trouxe o homem responsável pela ideia e pelo roteiro, ninguém menos que Stephen Colbert.
Espera aí, quem?
Sim, Stephen Colbert, o comediante e apresentador do talk show “The Late Show with Stephen Colbert”, que recentemente ganhou as manchetes com a notícia do fim do programa.
A presença de Colbert no roteiro, ao lado do filho, Peter McGee, e de Philippa Boyens (“O Senhor dos Anéis”), é surpreendente porque raramente vemos um profissional com pouquíssima experiência no formato assumir a base criativa de um projeto de uma franquia bilionária.
Mas isso não significa que ele não saiba o que está fazendo.
Ele sempre deixou explícita sua paixão por Tolkien, como podemos ver no vídeo abaixo:
E também tem um relacionamento prévio com Peter Jackson, já que fez (ao lado da família) uma aparição “pisque-e-perca” em “O Hobbit: A Desolação de Smaug” e apresentou o painel sobre “O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos” na San Diego Comic Con vestido como o personagem:
Mas isso também não significa que ele saiba o que está fazendo.
Ser um fã famoso não credencia ninguém a ser roteirista de uma adaptação que nasce cheia de bagagem pesada: uma espécie de sequência da trilogia de Jackson - que, ao que tudo indica, não deve ser o diretor, apenas produtor.
Pelo que Stephen Colbert disse no vídeo do anúncio, o segundo longa dessa nova leva de filmes no universo “O Senhor dos Anéis” será baseado em seis capítulos do primeiro livro, “A Sociedade do Anel”, que foram deixados de lado pelo cineasta no filme de 2001.
São eles: Três Não É Demais, Um Atalho Para Cogumelos, Conspiração Desmascarada, A Floresta Velha, Na Casa de Tom Bombadil e Névoa nas Colinas dos Túmulos.
“A parte que eu me pegava relendo sem parar eram os seis capítulos do começo de ‘A Sociedade do Anel’ que vocês nunca desenvolveram no primeiro filme lá atrás”, falou Colbert. Pensei: ‘Espera aí, talvez isso pudesse virar uma história isolada que ainda se encaixasse dentro de uma maior. Será que daria para fazer algo completamente fiel aos livros e, ao mesmo tempo, completamente fiel aos filmes que vocês já tinham feito?’”
Quatro considerações sobre isso.
Não gosto dessa tentativa de reescrever filmes antigos para acrescentar sequências ou tramas que não foram desenvolvidas na época por uma escolha criativa que funcionou. Isso certamente significa um roteiro com pouca sustentação no texto original e uma explicação que elimina boa parte da magia de certas histórias - como vimos na trilogia “O Hobbit”.
Colbert está correto ao dizer que esses capítulos nunca foram desenvolvidos, mas eles não foram completamente limados. Esses trechos de “A Sociedade do Anel” formam basicamente a saída de Frodo, Sam, Merry e Pippin do Condado, seu famoso encontro com Tom Bombadil e, talvez o elemento que os fãs mais gostariam de ver em sua plenitude, a passagem sinistra pelas Colinas dos Túmulos, onde o quarteto sofre nas mãos das criaturas tumulares.
Criar um filme baseado em uma sequência que faria parte de outro filme me soa como um projeto hermético e caça-níquel.
Não vejo como um filme se sustenta dramaturgicamente quando faz parte de uma história já contada nos cinemas. Por mais bacana que seja uma possível cena nas Colinas dos Túmulos, que representa para o leitor o primeiro vislumbre de algo mais sombrio na Terra-média, todo mundo que assistiu aos filmes sabe que ninguém ali vai morrer.
E talvez seja aí que entre outro detalhe que não foi revelado por Stephen Colbert, mas pela premissa divulgada pelo estúdio:
“14 anos após a partida de Frodo [dos Portos Cinzentos, no fim da trilogia], Sam, Merry e Pippin embarcam em uma aventura para refazer os primeiros passos de sua famosa jornada. Enquanto isso, Elanor, filha de Sam, descobre um segredo há muito enterrado e está determinada a descobrir por que a Guerra do Anel quase foi perdida antes mesmo de começar.”
Isso muda tudo.
Em primeiro lugar, o segundo filme se chamará “The Lord of the Rings: Shadow of the Past” ou “O Senhor dos Anéis: A Sombra do Passado”, caso sigam a lógica.


